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O papel das empresas na promoção de saúde mental

Por Antonietta Medeiros Sexta-feira, Dezembro 13, 2019

O conceito de saúde vai além da ausência de doenças. Para a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde, uma pessoa só pode ser considerada saudável quando há completo bem-estar físico, mental e social. Isso significa que não basta cuidar apenas do corpo, é fundamental desenvolver uma preocupação coletiva sobre a promoção de saúde mental.

Considerado, por muitos anos e em vários lugares, um assunto sobre o qual não se pode falar, os transtornos mentais ainda são um estigma. Ele é uma das principais barreiras para identificar e apoiar pessoas que passam por esses problemas. O papel das empresas nesse cenário é crucial para o desenvolvimento de estratégias efetivas de promoção, proteção e restauração da saúde.

Nos 2 últimos anos, 2 em cada 3 funcionários de empresas registradas na base de dados integrados ao Health Risk Assessment (HRA) qualificaram a sua saúde mental como regular ou ruim. Na maioria das vezes, eles se sentem excluídos e rejeitados e seus comportamentos são erroneamente interpretados como fraqueza e falta de adaptabilidade.

Apesar de muitas das empresas realizarem alguma ação voltada para esse assunto[1], grande parte delas não abrange ações como políticas corporativas para tratar do tema. No Brasil, 64% das empresas não desenvolveram qualquer tipo de programa ou atividade que permitiria eliminar o estigma em relação à saúde mental dos seus funcionários, segundo o estudo inédito sobre o assunto, realizado pela Mercer Marsh Benefícios[2].

Ainda que não haja qualquer obrigação legal para o desenvolvimento de políticas e programas de saúde mental dentro das empresas, elas são necessárias. Estratégias consistentes, com abordagem ampla sobre todos os fatores que contribuam para o desenvolvimento dos problemas de saúde mental e identificação de sintomas compatíveis aos transtornos mentais, auxiliam os colaboradores na procura de apoio e tratamento e consequentemente se sentem acolhidos pela organização, resultando na melhora da satisfação, de comprometimento e da produtividade dos funcionários.

Ainda há um longo caminho a ser percorrido no que diz respeito aos programas de apoio e preservação da saúde mental, a serem incorporadas como uma prática nas empresas: apenas 20% das organizações brasileiras sinalizaram que estão em processo de implementação ou já alcançaram progressos consideráveis na implantação de ações efetivas[3].

Vários são os determinantes da saúde mental e transtornos mentais. Além dos atributos individuais, como a capacidade de administrar os pensamentos, as emoções, os comportamentos e as interações com os outros, há também os fatores sociais, culturais, econômicos, políticos e ambientais, como as políticas nacionais, a proteção social, padrões de vida, as condições de trabalho e o apoio comunitário. Estresse, genética, nutrição, infecções perinatais e exposição a perigos ambientais também são fatores que contribuem para os transtornos mentais.

Além dos serviços de saúde, pessoas com transtornos mentais precisam de apoio e cuidados sociais e orientações educacionais sobre o tema. As organizações podem ter papel importante no acesso aos programas educativos, recursos e apoios específicos no meio corporativo.

As iniciativas mais frequentemente desenvolvidas nas empresas e que contribuem para o apoio e desenvolvimento dos colaboradores, resultando em frutos para as organizações, são campanhas de educação em saúde mental, soluções digitais voltadas para o tema, workshop, coaching, salas de descompressão, entre outras.

Identificar a necessidade de cuidar da saúde mental de seus funcionários e tomar as devidas providências para que esse assunto seja falado dentro do ambiente corporativo são o primeiro passo. Um programa de gestão de benefícios e de qualidade de vida pode auxiliar as empresas a lidar com todas essas questões relacionadas ao tema.

 

[1] 46%, conforme o estudo de benefícios da MMB 2019.

[2] Dados do Estudo Regional Tendências de Saúde Mental na América Latina e Caribe 2019.

[3] Dados do Estudo Regional Tendências de Saúde Mental na América Latina e Caribe 2019.