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Notícias & Informativos

Em Busca de um Modelo Sustentável para a Saúde

 


Os crescentes gastos na saúde suplementar vêm preocupando o governo, as operadoras de planos de saúde, as empresas que contratam os planos e também os beneficiários. De acordo com a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), nos últimos dez anos, os gastos médicos aumentaram 232%. A inflação no mesmo período foi de 71%, em média, de acordo com IPCA.

Dentre os motivos aventados para este comportamento estão: a incorporação de novas tecnologias, o aumento das coberturas contratuais, em especial as terapêuticas medicamentosas de alto custo, o envelhecimento da população, a judicialização ao pleito de coberturas não previstas contratualmente ou fora das diretrizes clínicas estabelecidas pela ANS e pelos desperdícios no sistema de saúde. Este último assume um papel relevante nos custos devido ao uso inadequado do sistema. A falta de orientação ao beneficiário, realização de procedimentos e exames desnecessários, falta de integração e clareza das informações são resultantes do atual modelo de remuneração de “fee for service”, ou pagamento por serviço prestado.

Neste modelo, a remuneração é exclusivamente por produção, quanto maior a quantidade de procedimentos, exames, materiais e medicamentos, maior será a arrecadação de recursos financeiros pelos prestadores de serviço, tornando a relação um conflito de interesses em todo o segmento do processo assistencial em detrimento à qualidade e eficiência do serviço prestado. Outro fator relacionado ao modelo de remuneração está no foco da atenção na doença e não na orientação à prevenção de suas causas e na promoção da saúde.

Mundialmente, o assunto vem sendo tratado e discutido e já há alguns modelos de remuneração mais estudados, dentre eles: o Capitation (per capita) onde os prestadores recebem um valor fixo por mês, por pessoa coberta ou o Bundled services (Pacotes de Serviços) onde o prestador recebe um valor acordado com a fonte pagadora pelos para o tratamento de uma condição específica, por exemplo, cirurgias ortopédicas. Esta é uma das modalidades do Pay for Performance (pagamento por performance) que permite usar incentivos com base em desempenho, não apenas financeiro. E o terceiro modelo, Diagnosis Related Groups (DRG), onde  se remunera mediante um  pagamento para um conjunto de serviços prestados, conforme o diagnóstico e sua classificação da complexidade associada.

Há varias experiências e diferentes formas de remuneração no mundo. Não existe um único modelo adotado. O processo é complexo e para escolha de um modelo em detrimento ao outro, ou mesmo o uso de um sistema híbrido, não é simples. São necessários estudos aprofundados que levam em consideração inúmeras variáveis como: risco da populacional, identificação de indicadores que permitem medir a utilização dos recursos, da eficiência dos resultados, avaliar qualidade técnica dos serviços da rede, etc.

No Brasil, um grupo de trabalho coordenado pela ANS chegou a conclusão de que cinco ações podem ajudar na mudança de hábito dos protagonistas do setor. Entre as principais, estão ações de colocar o paciente no centro dos cuidados; tornar transparentes os dados sobre resultados; padronizar métodos para pagar pelo tratamento; parar de recompensar o volume; e criar escolhas para pacientes e prestadores.

As discussões para implementar um modelo no Brasil estão avançando, mas ainda esbarram em mudanças fundamentais, tais como criar nova cultura de parcerias com a inclusão de todos os envolvidos no segmento, do profissional da medicina, provedores de serviços, do consumidor e dos fornecedores de insumos e ainda a mudança de atenção á saúde.

Soluções podem existir, mas demandam um esforço conjunto entre todos os envolvidos. Os propósitos devem ser claros e atender os interesses comuns a toda a cadeia do sistema de saúde, incluindo a satisfação do usuário final.

Alterar o modelo de remuneração, sem a conscientização de que é necessário haver mudanças de atitude e de cultura assistencial e empresarial, é buscar solução de curto prazo que levaria para o futuro as mesmas mazelas e custos do sistema atual.