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Notícias & Informativos

Brasil Terá a Segunda Maior Inflação Médica entre os Países Latino-Americanos

São Paulo   |   Quarta-feira, Agosto 22, 2018

  • Custos médicos hospitalares no país terá reajuste de 15,4% em média, 11.8 pontos percentuais acima da inflação econômica (IPCA). No ranking global, Brasil desce para terceira posição e fica atrás da Argentina e Egito.
  • Além de novas tecnologias, envelhecimento da popupação e o uso excessivo dos convênios médicos, incidência de doenças como câncer, do aparelho circulatório, saúde mental, problemas ortopédicos e obstetrícia também estão entre os fatores que puxam para cima o custo saúde.
  • A saúde mental aparece como o terceiro maior fator de risco saúde


A inflação médica nos países da América Latina em 2018 ficará 2,4 pontos percentuais acima da média global. Enquanto que os custos médicos hospitalares nos países-latino americanos terão um reajuste médio de 11,5%, no mundo o reajuste será menor (9,1%) segundo estimativas do relatório internacional Medical Trends Around the World da consultoria Mercer Marsh Benefícios. O levantamento é resultado de uma pesquisa com 225 operadoras de planos de saúde em 62 países da América Latina, América do Norte, Europa, Ásia, Pacífico e Oriente Médio.

De acordo com o relatório, o Brasil terá o segundo maior índice entre os países latino-americanos, com uma inflação estimada em 15,4%, atrás apenas da Argentina com 26,0%.

Posição do Brasil no ranking globalAo analisar os custos médicos hospitalares em 62 países, no ranking mundial a Argentina está em primeiro lugar com uma inflação médica de 26,0%, seguida pelo Egito com 20,0%. O Brasil fica em terceiro o Braisl (15,4%). Outros países como França, Hungria, Romênia, Sérvia e Qatar também aparecem entre os países com os índices mais inflacionados (15,0% em média).

“O Brasil ocupa a terceira posição com quase 12 pontos percentuais de diferença quando comparamos a inflação médica e a econômica (IPCA) do país (3,48% Foucs/Abr2018)”, afirma Marcelo Borges, Diretor Executivo da Marcer Marsh Benefícios.

Incidência de doenças

O relatório Medical Trends Around the World aponta que o câncer e doenças relacionadas ao aparelho cardiovascular e gastrointestinal estão entre as três enfermidades de maior risco no mundo. A saúde mental também aparece como o terceiro maior fator de risco.

No Brasil, além câncer, doenças relacionadas ao aparelho circulatório, saúde mental, problemas ortopédicos e obstetrícia também aparecem entre os maiores fatores de riscos. “As incorretas indicações cirúrgicas ortopédicas são hoje uma das principais causas dos aumentos dos custos”, diz.

“Quando avaliamos dados de usuários de planos de saúde em nossa base, identificamos que o custo de uma população com doenças crônicas é de 3 a 5 vezes maior em relação ao custo saúde de uma população saudável, considerando a mesma idade média”, complementa.

Alimentação e comportamento emocional

O Medical Trends Around the World revela também que a dieta inadequada e o emocional estão entre os principais influenciadores do aumento do risco cardiovascular e metabólico. “No Brasil, esses fatores têm forte influência sobre o sinistro médico, pois tem relação direta com doenças que envolvem tratamentos complexos e de alto custo. Alguns desses indicadores estão piorando quando avaliamos a série histórica (Ex.: Obesidade)”, avalia.

“Já os fatores de risco emocional impactam mais nos custos indiretos com a saúde do que no plano médico. Transtornos mentais e comportamentais já são a terceira causa de incapacidade para o trabalho, correspondendo a 9% da concessão de auxílio-doença e aposentadoria por invalidez, segundo dados do 1º Boletim Quadrimestral sobre Benefícios por Incapacidade da Secretaria de Previdência/Ministério da Fazenda/2017”, analisa.

Segundo a Mercer Marsh Benefícios, os afastamentos relacionados a saúde mental tem uma média de 6,6 dias de afastamento do trabalho. Enquanto que a média de dias de afastamento relacionados a outras doenças é de aproximadamente  2,2 dias, índice 3 vezes menor que a média relacionada aos de saúde mental”, compara.

Fatores que pressionam os custos

O relatório menciona novas tecnologias, medicamentos de alto custo e solicitação abusiva de exames como os três principais fatores que estão inflando os custos.

Mas, outros fatores como a revisões do rol de procedimentos médicos a cada dois anos e o uso de materiais e medicamentos importados com preços atrelados ao dólar impactam os custos médicos no Brasil. “Em nosss estudos vemos que a frequência de exames por usuário aumentou cerca de 40% nos últimos anos”, afirma.  

Fraudes também é outro agraventante. Dados do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) mostram que R$ 22,5 bilhões de gastos com plano de saúde vem de fraude ou gastos com procedimentos desnecessários.

O que as operadoras têm feito para conter a escalada dos custos

- Criação e ampliação de pacotes para internações e passagens em pronto socorro
- Negociação com fornecedores de matérias de órtese e prótese
- Auditoria médica
- Centros de atendimento primário
- Rede referenciada ou verticalizada
- Segurança (token para confirmação de atendimento)
 
Table 1:  Rates of Medical Inflation around the World: 2018 Survey Results

  

2017 Medical Trend Rate Experienced 1

2017 estimated inflation rate †

2018 Projected Medical Trend Rate 1

2018 forecast inflation rate †

Global (average)‡

9.5%

3.4%

9.1%

3.5%

North America (average)

6.2%

1.6%

5.6%

2.2%

Canada

6.2%

1.6%

5.6%

2.2%

Asia (average)

10.4%

2.3%

10.0%

2.7%

China

9.5%

1.6%

10.3%

2.5%

Hong Kong

9.0%

1.5%

8.4%

2.2%

India

10.0%

3.6%

10.0%

5.0%

Indonesia

14.3%

3.8%

12.6%

3.5%

Malaysia

11.6%

3.8%

12.5%

3.2%

Philippines

12.4%

3.2%

13.1%

4.2%

Singapore

8.6%

0.6%

9.1%

1.2%

South Korea

7.0%

1.9%

7.0%

1.7%

Taiwan

10.6%

0.6%

9.0%

1.3%

Thailand

10.0%

0.7%

8.7%

1.4%

Vietnam

11.8%

3.5%

9.4%

3.8%

Pacific (average)

4.4%

2.0%

3.8%

2.2%

Australia

4.4%

2.0%

3.8%

2.2%

Europe (average)

7.6%

2.8%

7.5%

2.8%

Belgium

3.7%

2.2%

3.8%

1.6%

Bulgaria

13.0%

1.2%

13.5%

2.0%

Denmark

2.0%

1.1%

1.7%

1.4%

France

1.6%

1.2%

1.5%

1.5%

Greece

5.7%

1.1%

5.1%

0.7%

Hungary

10.0%

2.4%

15.0%

2.7%

Ireland

4.6%

0.3%

5.8%

0.9%

Italy

2.5%

1.3%

2.1%

1.1%

Latvia

8.9%

2.9%

7.0%

3.0%

Lithuania

16.7%

3.7%

12.1%

2.2%

Netherlands

2.1%

1.3%

2.1%

2.0%

Norway

9.1%

1.9%

7.3%

1.9%

Poland

10.1%

2.0%

10.7%

2.5%

Portugal

2.7%

1.6%

2.2%

1.6%

Romania

15.0%

1.3%

15.0%

4.7%

Russia

7.5%

3.7%

6.8%

2.8%

Serbia

17.5%

3.1%

15.0%

2.7%

Spain

4.6%

2.0%

4.4%

1.7%

Sweden

5.0%

1.9%

7.0%

1.5%

Switzerland

4.5%

0.5%

4.5%

0.7%

Turkey

12.0%

11.1%

14.0%

11.4%

Ukraine

11.4%

14.4%

11.7%

11.0%

United Kingdom

4.6%

2.7%

4.9%

2.7%

MEA (average)

12.5%

4.7%

11.9%

6.2%

Bahrain

12.2%

1.4%

9.2%

2.9%

Egypt

28.4%

23.5%

20.0%

20.1%

Oman

3.6%

1.6%

10.0%

2.5%

Qatar

13.5%

0.4%

15.0%

3.9%

Saudi Arabia

5.5%

-0.9%

5.5%

3.7%

United Arab Emirates

11.5%

2.0%

11.5%

4.2%

Latin America (average)

12.7%

5.9%

11.5%

4.7%

Argentina

32.8%

24.8%*

26.0%

19.3%*

Brazil

17.6%

2.9%

15.4%

3.6%

Chile

8.9%

2.3%

8.5%

2.0%

Colombia

7.5%

4.1%

7.4%

3.8%

Dominican Republic

4.8%

4.1%

5.5%

3.3%

Mexico

13.5%

6.8%

12.0%

4.1%

Panama

10.0%

0.8%

10.3%

0.6%

Peru

6.5%

1.5%

6.8%

1.2%

Fonte: Mercer Marsh Benefícios
                    
1The above medical trend rates reflect insurer survey results and may not be MMB’s view.    
        
‡ Average of 50 participating countries with an acceptable number of responses    
† Sources for inflation rates include:                
• For all countries unless otherwise noted: International Monetary Fund, World Economic Outlook Database, April 2018
• For Latin America: Mercer's Latin America Economic Trends, April 2018        
* Argentina: The source of the inflation data the source is Latin Focus Consensus Forecast.    
Note for China cities and Mexico cities, the data refer to China and Mexico overall country data respectively.
Inflation rate information is strictly for general reference purpose; Mercer gives no guarantees as to their accuracy and will not accept liability for decisions based on them.

O que é a inflação médica

A inflação médica é resultado da composição de todos os custos médico-hospitalares do país: envelhecimento populacional, incidências de doenças crônicas e cardiovasculares, hábitos e estilo de vida dos grandes centros urbanos, investimentos em novas tecnologias, equipamentos, insumos hospitalares e medicamentos importados, ambiente regulatório imprevisível e instabilidade econômica são alguns fatores que impactam nos custos médico-hospitalares. No Brasil, ainda há o impacto da pouca flexibilidade dos planos de saúde em função de regulamentação, além do efeito da insegurança econômica e consequentemente a super utilização dos planos, que pressiona mais os custos.

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